IV Congresso Karl Marx | A crise do capitalismo neoliberal e a necropolítica | Chamada de comunicações
Três características parecem moldar a enorme explosão social do mundo do trabalho na sequência do movimento militar de 25 de Abril de 1974. Em primeiro lugar, é sob o impulso das reivindicações dos operários fabris, dos trabalhadores dos serviços, dos assalariados rurais do Alentejo e Ribatejo e dos moradores dos bairros populares nas principais cidades do litoral que o golpe militar se transforma num processo revolucionário apontando, ainda que de forma diversa, para o socialismo.
O IV Congresso Karl Marx realiza-se a 22 e 23 de Janeiro de 2027 na NOVA FCSH (Campus da Av. de Berna, Lisboa), sob o tema "A Crise do Capitalismo Neoliberal e a Necropolítica", sendo organizado pela CULTRA, pelo Instituto de História Contemporânea (IHC) da Universidade NOVA de Lisboa, pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra e pelo Instituto de Sociologia da Universidade do Porto.
O Congresso é aberto ao público e de acesso livre e o seu objectivo é analisar a crise do capitalismo neoliberal (anos 80 do século XX – primeiro quartel do século XXI) numa dupla perspectiva: a da perspectiva histórica e a do debate teórico sobre a crise nas suas diversas dimensões e do estudo das experiências de activismo social, político ou cultural com ela relacionadas.
Nesse sentido, o congresso decorrerá organizado em torno de sessões plenárias e das sete secções temáticas seguintes:
- Secção I: A crise económica-financeira do capitalismo neoliberal (natureza e características da crise do capitalismo tardio; taxas de lucro e acumulação; centro e periferia; revolução tecnológica e tecnoligarquias; financiarização; criptomoedas; ofensiva privatizadora; velhas e novas formas de extracção da mais valia e problemas afins)
- Secção II: Política, hiperpolítica e necropolítica (crise de legitimidade/representatividade dos sistemas liberais; a rendição do liberalismo; declínio do rotativismo entre social-democracia e forças liberais e conservadoras; a ameaça neo-fascista e as suas características na época atual; a radicalização das direitas tradicionais; o trumpismo e fenómenos afins; lutas e impasses das esquerdas emancipatórias).
- Secção III: Transformações e lutas sociais (mudanças estruturais e comportamentais nas classes trabalhadoras, segmentação, precarização, sindicalização; as novas relações de força no mundo laboral: “o pacote laboral” de 2025-26 em Portugal no contexto internacional de contra-reforma dos direitos do trabalho; trabalho imigrante; migrações, divisão internacional do trabalho e regimes racializados de acumulação; medo e insegurança nas classes intermédias e marginalizadas; processos de pauperização; as mudanças nas classes dominantes, a tecnoligarquia; o novo papel da manipulação algorítmica e das redes sociais; heteronormatividade e marxismo queer; experiências de luta no trabalho, na habitação, na saúde, na educação, etc.)
- Secção IV: Capitalismo tardio, desastre ecológico-ambiental e eco-socialismo (as políticas ambientais do capitalismo; a crise ecológica e ambiental e a sua evolução; crescimento e decrescimento, antropoceno e capitaloceno, extractivismo; experiências do activismo ambientalista nas suas várias correntes e expressões).
- Secção V: Feminismos, emancipação e reprodução social (o patriarcado e a situação das mulheres na sociedade, na política, na cultura do capitalismo tardio; trabalho reprodutivo e lutas em torno da reprodução social; direitos LGBTQIA+ e discriminação, sobre-exploração, violência, poder masculino: convivências, impunidades, conquistas políticas, a situação actual; neo-fascismo, ultramontanismo, anti-feminismo; experiências de combate feministas; a esquerda emancipatória e o movimento feminista; as várias correntes e expressões dos feminismos atuais).
- Secção VI: Cultura e contra-revolução cultural (o papel da contra-revolução cultural na emergência da nova extrema-direita neo-fascista; as várias dimensões do revisionismo cultural conservador e fascizante: na História, na memória, na política, no discurso social, na ideologia; o novo papel da cultura democrática e de massas no entendimento transformador das realidades presentes)
- Secção VII: Imperialismo, guerra e genocídio (novos e velhos imperialismos; as guerras de agressão e disputa imperial: Ucrânia, Palestina, Líbano, Irão; colapso do multilateralismo e do direito internacional; o regresso impune das políticas das canhoneiras e da lei do mais forte; trumpismo e América Latina: Cuba, Venezuela e afins; a corrida aos armamentos; a ameaça da III Guerra Mundial; as lutas contra as necropolíticas imperais).
Chamada para comunicações
As propostas de comunicação ao congresso serão consideradas pela Comissão Científica nas seguintes condições:
- Respeitarem no seu conteúdo os âmbitos temáticos das sete secções do congresso;
- Terem a forma de resumos, em português ou inglês, com o máximo de 2000 caracteres, incluindo uma muito breve nota identificadora e curricular das e dos seus autores;
- Serem submetidas através deste formulário online.
Todas as propostas de comunicação deverão ser recebidas até 30 de Junho de 2026.
As propostas serão apreciadas pela Comissão Científica do congresso e as/os proponentes serão disso notificados até dia 30 de Setembro de 2026.
O IV Congresso Karl Marx é aberto ao público e de acesso gratuito.
Mais informações aqui: https://ihc.fcsh.unl.pt/events/karl-marx-2027/